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Vivemos realmente em um País que, aparenta, fingir não saber, ou não se preocupar, com os questões verdadeiras, enquanto realiza espetáculos de absurdos debates sobre problemas que, na verdade, sequer existem.

O Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) considerou inconstitucional a Lei Estadual 8120/2018, que regulamentava performances artísticas em estações de barcas, trem e metrô.

Resumindo, segundo o Tribunal de Justiça (não sei realmente o por que deste nome, vez que nem sempre se faz justiça naquele espaço) uma lei que permitia apresentações culturais mereceu ser revogada.

Minha opinião, como usuário do metrô/RJ, é favorável à apresentação de artistas nestes espaços nos ajudando, com músicas, danças e poesias de qualidade, a enfrentar os longos minutos que transcorrem entre uma estação e outra.

Importante lembrar que resta presente, em todos estes momentos o pedido de licença para atuar, vez que antes de iniciar qualquer apresentação, os artistas perguntam a todos se o evento é inoportuno e, caso um único passageiro, confirme o incômodo, se retiram imediatamente.

Educação e cultura caminhando juntos.

Tive a curiosidade de ler alguns dos argumentos que pautam o entendimento de “especialistas” no tema, e encontrei verdadeiras pérolas:

“o problema tem a ver com a segurança dos passageiros, pois em caso de freada brusca, músicos e seus instrumentos poderiam provocar acidentes”

“Problemas na acessibilidade, vez que os artistas impedem a entrada e saída nos vagões”

“A música colide com o direito ao sossego”

Tenho certeza que estes “especialistas” não andam em transporte público.

Bem como os parlamentares que subscreveram a ideia de ingressar com tal demanda, da mesma forma, aparentam desconhecer a realidade do dia a dia destas viagens.

A verdade, e quem frequenta tal espaço sabe bem disso é que:

1 – Em caso de freada brusca, muitos estão em risco, pois não existe apoio verdadeiramente seguro e suficiente para todos;

2 – Na entrada e saída de vagões, os próprios passageiros, comumente bloqueiam o espaço impedindo o acesso nos dois sentidos;

3 – A utilização de celulares em elevado volume, prática comum a caracterizar um incômodo verdadeiro, proibida por lei, é fartamente encontrada.

Isto sem contar a frequência de pedintes e vendedores de produtos de origem duvidosa.

O que em minha opinião deveria ser objeto de debates por estas autoridades  é que estamos enfrentando uma crise sem precedentes e, enquanto se tenta calar nossos artistas, empresas e empresários seguem quebrando de modo crescente, enquanto empregos vão sendo aniquilados por consequência e a população continua sem enxergar luz no fim do túnel.

Nosso País precisa acabar com este hábito deplorável de proibir o que é diferente, encarando a realidade de que o mundo está mudanod em velocidade extraordinária e a grande, e verdadeira busca, deve ser no sentido de harmonizar o desejo coletivo.

Afinal, acho que ainda vivemos em uma democracia.

Como cidadão carioca, brasileiro e usuário de serviço público não me recordo de ter sido consultado sobre o tema.

Aplausos para os artistas do metrô, dos trens e das barcas.

Que estes continuem a nos brindar com sua Arte.